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JOSÉ BONIFÁCIO, O HERÓI VIVO

Publicado em 13/06/2013, por Telma de Souza – Deputada estadual (PT) e ex-prefeita de Santos.

Se depender da atualidade dos seus ideais, José Bonifácio de Andrada e Silva pode ser considerado um Herói vivo. Santista, o Patriarca da Independência completaria 250 anos neste dia 13, com pensamentos extremamente avançados, mesmo para os dias de hoje.
 
José Bonifácio foi personalidade de destaque nos campos acadêmico e político, com um refinamento de ideias que fizeram dele um homem poderoso. Defensor do Meio Ambiente, naturalista, mineralogista, formado em Direito e Filosofia, entre outras habilidades, o “Moço” sempre esteve ligado a temas de vanguarda. Era um defensor intransigente do fim da escravatura e do tráfico negreiro. Sonhava com uma sociedade em que os índios seriam inseridos, com a manutenção dos seus costumes.
 
No início do século XVIII, ao retornar de estudos em Portugal, o ilustre santista tinha como bandeira a construção de um Estado independente em relação a países ricos, com uma reforma agrária que permitisse divisão de terra e distribuição de renda. Idealizou um país com educação pública, o desenvolvimento do interior e a criação de uma cidade no centro do território para abrigar o governo nacional, muito antes de Brasília ser planejada.
 
Em suas análises mais veementes, planejava o Brasil como “nação homogênea”, onde as pessoas não fossem diferenciadas pela cor da pele e as classes sociais ocupassem os mesmos espaços. Atualíssimo.
 
Para viabilizar o audacioso plano de desenvolvimento, José Bonifácio arquitetou a Independência do Brasil. Influenciou Dom Pedro, o príncipe regente, que, em 7 de setembro de 1822, saindo de Santos a caminho de São Paulo, às margens do Riacho Ipiranga, declarou a separação de Portugal.
 
Com a criação do governo imperial, José Bonifácio se opôs às novas políticas, sendo preso e exilado. Seis anos depois, de volta ao Brasil, reatou relações com o Imperador, que o designou tutor de seu filho, Dom Pedro II, então com cinco anos, para voltar a Portugal e assumir o trono. Com o monarca longe, Bonifácio foi golpeado pela Regência, abandonou a política e viveu recluso até sua morte, aos 75 anos.
 
Infelizmente, o reconhecimento da população brasileira ao Patriarca não é condizente à sua dedicação ao processo evolutivo do Brasil. Na tentativa de contribuir com a memória do Patriarca, tenho a honra de ser a autora da lei federal que tornou José Bonifácio Herói da Pátria, e da lei estadual que cria o “Programa Memória de José Bonifácio”, fazendo a transferência simbólica da capital paulista para Santos em sua reverência, aprovado por unanimidade pela Assembleia Legislativa Paulista, após a derrubada do veto do governo estadual.
 
De minha parte, são singelos instrumentos de valorização do legado do ilustre santista. Hoje, durante as comemorações de 250 anos de nascimento de José Bonifácio, teremos representações oficiais do nosso País a Santos, como o ministro da Defesa, o também santista Celso Amorim. Solicitei a vinda da Banda de Fuzileiros Navais, dos Dragões da Independência, de caças para sobrevoar nossa cidade, além de um navio da Esquadra Brasileira, prontamente atendidos pela Presidenta Dilma Rousseff, uma bonifacista.
 
Alguns virão à terra de José Bonifácio homenageá-lo, por demagogia ou obrigação, mas muitos virão para reverenciá-lo, verdadeiramente. À população cabe exaltar a memória do homem que idealizou a nossa democracia, oferecendo sua vida ao Brasil. Que todos possam assimilar os pensamentos libertários deste nacionalista e, cada um à sua maneira, dar continuidade à bela obra de construção de uma nação justa, acolhedora, forte e independente.

(Artigo publicado em A Tribuna no dia 13/06/2013)

Fonte: Telma de Souza – Deputada estadual (PT) e ex-prefeita de Santos